segunda-feira, 29 de maio de 2017

Bela em extinção

Após a leitura, responda em seu caderno: quais ações o homem pode ter para preservar essa espécie tão importante?

Mata Atlântica pode perder para sempre um de seus mais ilustres moradores: a onça-pintada

Terceiro maior felino do mundo e maior predador do Brasil, a onça-pintada é a rainha das nossas florestas. Mas, infelizmente, seus dias de realeza podem estar contados: ela está cada vez mais ameaçada e pode desaparecer para sempre da Mata Atlântica. Por sorte, porém, existem pesquisadores dispostos a enfrentar uma corrida contra o tempo para salvá-la.



A onça-pintada, terceiro maior felino do mundo, corre risco de desaparecer – e tudo por causa da ação do homem

Beatriz de Mello Beisiegel, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, explica que as duas maiores ameaças à sobrevivência da onça-pintada são a caça e a destruição dos ambientes naturais onde ela vive.

“A onça é um animal muito caçado, por esporte, por medo ou mesmo como forma de ganhar honra, já que em muitas culturas matar uma onça é sinônimo de força”, explica. “A caça das presas das onças, como porcos-do-mato e veados, também é enorme e diminui sua fonte de alimento. Para piorar, existem poucas áreas grandes o suficiente para preservar esses animais”.

O fim definitivo do felino poderia causar uma verdadeira confusão: sem as onças, as populações dos animais que antes eram suas presas tenderia a aumentar. Como suas presas são herbívoras, ou seja, se alimentam de plantas, isso pode desequilibrar ainda mais a mata. “Toda a ecologia da floresta pode mudar. Os muitos herbívoros irão exigir mais da vegetação. Como ficaria a floresta daqui a 500 anos?”, questiona Beatriz.
Segundo a pesquisadora, são três as linhas de ação principais para salvar as onças. “Temos procurado atuar no controle da caça, no aumento das áreas de preservação das onças e também no estímulo a novos estudos sobre esse animal, pois quanto mais o conhecermos, melhor será possível protegê-lo”, garante.

Outra fera em risco
O leão do oeste da África também está em extinção




A vida não está fácil para a família real da floresta. Na África, outro grande felino também corre risco de extinção: o leão. Philipp Henschel, coordenador de pesquisa do Programa de Sobrevivência do Leão, encontrou leões em apenas quatro das 21 áreas de preservação existentes no oeste do continente. Assim como a onça-pintada, seu desaparecimento pode afetar todo o ecossistema local. “Temos de agir rápido para salvar os leões. Vamos ajudar financeiramente os países para que protejam os leões e suas presas e para que preservem mais áreas em que esses animais ainda existem”, explica.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Por onde anda você?


Expedições procuram duas espécies de rãs que não são vistas há quase três décadas no Brasil

Você aceitaria viajar pelo sul e sudeste do Brasil para procurar duas espécies de rãs que há mais de 25 anos não são encontradas pelos cientistas? Então, saiba que essa é a aventura que aguarda os biólogos Patrick Colombo e Taran Grant, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Em setembro, eles vão liderar duas expedições em nosso país, que são parte de uma busca mundial por cem espécies de anfíbios que há muito tempo não são vistas na natureza e podem até estar extintas.

(Ilustração: Mario Bag).
Procura-se!
Lanterna na mão, gravador no bolso e um par de botas de borracha confortável. É assim que estará equipado o grupo que irá buscar a rãzinha-das-pedras em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Chamada de Cycloramphus valae pelos cientistas, essa espécie costumava viver entre rochas em cachoeiras muito altas. Em locais como esse, perto dos paredões úmidos, é que a equipe espera reencontrá-la. “A estratégia é sair revirando pedras na natureza”, adianta Patrick, líder da expedição.


Fotos da rãzinha-das-pedras são raras. Mas veja como é o girino dessa espécie (ilustração cedida por Ronald Heyer).
Amarronzada, a rãzinha camufla-se entre as rochas e se confunde com o ambiente. Como seu nome indica, é pequena: tem quatro centímetros de comprimento! E se você pensa que essas características já são suficientes para dificultar o trabalho dos pesquisadores, imagine procurar esse bicho… à noite? Pois é isso o que irá acontecer, já que a rãzinha-das-pedras, como a maioria dos anfíbios, tem hábitos noturnos.
A boa notícia, porém, é que essa busca não depende apenas da visão. Os pesquisadores vão estar atentos a qualquer barulho. Afinal, quem sabe eles não escutam o som produzido pela espécie e, ao segui-lo, reencontram a rãzinha-das-pedras? A expectativa também é gravar novamente o canto desse anfíbio, registrado pela primeira vez em 1979, no estado de Santa Catarina, quando a rãzinha-das-pedras foi descoberta. Apenas três anos depois, ela seria vista pela última vez.
Aumente o som!
Ouça o canto da rãzinha-das-pedras (gravação cedida por Ronald Heyer).
Do sul para o sudeste

(Ilustração: Fernando).
Desde a década de 1980, aliás, ninguém encontra também a rãzinha-do-riacho. Essa espécie, conhecida pelos cientistas como Crossodactylus grandis, é alvo de uma outra expedição, que acontece em setembro em parte do sudeste do Brasil.
Para tentar localizá-la, o biólogo Taran Grant irá a Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas a tarefa é difícil. Não há foto ou desenho da espécie em vida. Seu canto também não foi gravado. E não se engane: apesar de ter a palavra “grandis” (em latim, “grande”) em seu nome, esse anfíbio mede apenas quatro centímetros.

Apesar disso, já foi definida uma estratégia para tentar achar essa rã que tem pele marrom, hábitos diurnos e vive escondida na vegetação que há na beira dos riachos da Serra da Mantiqueira, cadeia montanhosa que se estende pelos três estados que serão visitados. Taran pretende se basear no som produzido por outras espécies do mesmo gênero para tentar localizar a Crossodactylus grandis. “Vamos seguir o som de qualquer anfíbio que esteja cantando perto do riacho”, conta ele.
Quem sabe esse não é o primeiro passo para um reencontro aguardado há décadas?

Maior entre os menores
Crossodactylus grandis foi batizada assim porque é maior do que os outros bichos do seu grupo, que atingem, no máximo, três centímetros!
Anfíbios em perigo
Apesar da esperança em reencontrar a rãzinha-das-pedras e a rãzinha-do-riacho, depois de quase três décadas sem notícias, é claro que os pesquisadores trabalham com a hipótese de que essas espécies tenham sido extintas. Ou seja, desaparecido para sempre, uma ameaça que ronda anfíbios em todo o mundo. Como os sapos e seus parentes têm a pele muito sensível, mesmo alterações muito pequenas no habitat podem afetar a sua sobrevivência. Além disso, são cada vez mais comuns casos de animais desse tipo que desenvolvem uma doença causada por fungos. Para você ter uma ideia, essa moléstia já causou a extinção de várias espécies de anfíbios pelo planeta, uma vez que provoca problemas respiratórios, entre outros. Clique na tela e conheça sapos e rãs que enfrentam ameaças como essas.